Isabel Duarte e Maria João Macedo
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Proposta de investigação, 2009
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Proposta de investigação

Proposta de investigação

SUPORTES PARA UMA EDIÇÃO REFLEXIVA

Para além dos conteúdos textuais óbvios, uma publicação faz-se também resultado das circunstâncias e constrangimentos vários que assistem à sua produção. São estas questões – editoriais, técnicas, formais, materiais, de distribuição, etc. – que, afora o texto e a ele acrescentadas, são determinantes da identidade do objecto publicado.

Supondo que a decisão editorial primeira se manifeste na escolha do medium sobre o qual se vai publicar, importa que se lhe reconheçam as propriedades semânticas que ele pode aportar para o texto e mais, como pode essa escolha modelar uma certa identidade editorial da publicação e do sujeito que a edita.

Interessa-me o que do design possa ser convocado para a edição, no que compreende um modo de a fazer que é na sua essência reflexivo. Refiro-me a um certo tipo de edição interessada sobre si própria, por um lado vaidosa das suas conquistas semânticas e formais, por outro insegura, porque ao fazer-se constantemente se questiona. Este é um tipo de edição em que a intervenção do design se faz evidente, alcançando daí a qualidade distintiva das suas produções.

Investigar sobre estes assuntos assume-se como um compromisso com as possibilidades do design através da articulação destas com as da edição, uma investigação motivada também pela necessidade de legitimação do designer enquanto editor e de validação desta prática conjunta. Parto para ela, contudo, já convicta do poder transformativo da edição e da importância do publicar no que convém, além do mais, à conquista de discursos e formatos para práticas porventura consideradas divergentes.

À atenção que possa ser dada aos suportes de publicação subjaz a noção de que em si mesmos transportam significados contextuais, históricos, temporais, processuais, metodológicos, etc., reveladores de questões ideológicas que são necessariamente estruturantes do conteúdo. Neste sentido, talvez os ditos suportes proporcionem logo à partida conteúdo base para que sobre ele se erga um discurso que, contas feitas, se pronuncia acerca de toda uma linhagem editorial de que, no fundo, qualquer suporte que agora se ensaie é herdeiro.

Um olhar retrospectivo sobre suportes estabelecidos ou de uso corrente que intente problematizar os predicados da sua edição poderá prospectivar novos usos ou, pelo menos, motivar versões ou declinações dos mesmos. Tenha-se consciente que a apropriação de um dado suporte implica uma relação de continuidade face ao que já de semelhante foi feito, mas que deste movimento se exige um posicionamento crítico, talvez via única para a expectada identidade editorial própria.

A possibilidade de nos debruçarmos sobre a tradição de objectos impressos, referidos por defeito com nomenclaturas e regras fixas, espera expô-los à possibilidade de transformação, de actualização e de inscrição de uma autoria editorial sobre eles. Mais do que pensar suportes editoriais como documentos fechados, destinados eventualmente à obsolescência, interessa especular sobre a hipótese de serem consequentes, motivadores de outros. Publicar, revestido destas preocupações, assume-se desde a partida como carta de intenções – acerca dos propósitos editoriais com que se publica mas, sobretudo, porque aponta para estabelecimentos futuros.

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