Impossuível
Das cinco publicações que decidimos emprestar da nossa biblioteca privada à biblioteca temporária do Navio Vazio:
(a), (b) e (c) são catálogos;
(d) é uma newsletter;
(e) é uma compilação encadernada de vários números de uma newsletter.
Se a classificação segundo tipologias destes ou doutros livros dificilmente consegue ser esclarecedora quanto ao seu conteúdo ou forma, poderá só na melhor das hipóteses ser reveladora das funções que o autor ou editor lhes imputa ao definir estas tipologias no próprio título ou ficha técnica dos livros. De certa forma, quando o autor faz acompanhar o título da referência ao género literário em causa – seja romance, monografia, revista, catálogo – assume uma decisão editorial e um compromisso para com as convenções desse género, ao mesmo tempo estabelecendo um protocolo de leitura ou uma via de interpretação para a obra. Assim, a definição prévia de uma tipologia tem sempre um carácter prescritivo, nem que seja referente – e como se poderá observar em algumas das publicações por nós seleccionadas (sobretudo (a), mas também (b), (c) e (d), e até eventualmente (e)) – precisamente àquelas convenções editoriais que uma dada tipologia anuncia e as mesmas que o autor decide perturbar.
A nossa biblioteca privada não está organizada por tipologias. Na verdade resume-se a duas estantes de prateleiras movíveis em que os livros são colocados por alturas: as prateleiras dos mais altos, as dos médios e as dos de tamanho de livro-de-bolso. Como a nossa biblioteca comprova, não existe um formato próprio para cada género. O imperativo de aproveitamento de espaço faz com que se misturem romances com dvds, catálogos com revistas e com literatura específica de design – um critério que talvez não erre muito mais do que a impossível tentativa de organização temática ou por tipo.
Podemos, no entanto, arriscar dizer que o tema que prevalece na nossa biblioteca – assim como um possível tema comum aos livros que seleccionamos – é o design. Entre eles, livros em que a intervenção do design é evidente, como em (a) (b) (c) (d) (e); livros que têm design como assunto, como (c)(d)(e); livros em que o designer é também editor, como (a) (c) (d). Mas mais uma vez, tomar o design por critério – para esta selecção de livros, ou para a constituição de uma biblioteca – não é lá muito rigoroso. O simples facto de serem livros, e como tal objectos desenhados, torna possível falar deles sob o ponto de vista do design.
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(a) For the blind man in the dark room looking for the black cat that isn't there – de Anthony Huberman e com design e edição de Will Holder, publicado em 2009 pelo Contemporary Art Museum St Louis e pela Culturgest.
(b) In Girum Imus Nocte Et Consumimur Igni - The situationist International (1957-1972) - editado por Stefan Zweifel, Juri Steiner and Heinz Stahlhut e com design de Marie Lusa, publicado em 2006 pela JRP Ringier para o Museum Tinguely.
(c) Forms of Inquiry: Reading Room (Supplement) – com edição e design de Zak Kyes e Mark Owens, publicado em 2007 pela AAPublications.
(d) Task Newsletter #2: Not What if, What if Not - editado e publicado em 2009 por Emmet Byrne, Alex DeArmond e Jon Sueda, com design de Alex DeArmond.
(e) Notícias de Heidelberg, compilação encadernada de vários números das décadas de 50, 60 e 70 da revista Notícias de Heidelberg, publicada pela Secção de Propaganda da Schnellpressenfabrik AG Heidelberg e impressa na Alemanha Ocidental.