Isabel Duarte e Maria João Macedo
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Êxodo, 2008
documentário ficcionado
27,8x20 cm

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Êxodo - documentário ficcionado

O tema do êxodo poderia desenvolver-se segundo um tratamento contaminado por reminiscências históricas e bíblicas que o aproximariam do carácter documental mais convencionado.

Aprofundado-o, surge a noção de que o potencial ficcional do fenómeno do êxodo pode residir antes na sua dimensão humana, em si mesma permissiva à metáfora.

Este documentário ficcionado sobre O êxodo tenta a ilustração de um conceito genérico de êxodo, baseada numa representação simultaneamente cerebral (analítica, rigorosa) e vaga (simbólica, metafórica).

O princípio descritivo e expositivo próprio da Geografia foi explorado na tentativa de encontrar um vocabulário para simular estas questões graficamente. A este assomou-se a dimensão metafórica, através das imagens que, apropriadas, manipuladas e recontextualizadas, ilustram territórios ilusórios.

A ideia última de êxodo está relacionada com deslocação e mudança – êxodo descreve a interacção entre elementos e espaço no transcorrer do tempo. Neste sentido, a aproximação ao formato livro, e ao suceder de páginas, introduz o factor temporal. Por outro lado, o factor espaço reside na página isolada, delimita-se no seu formato.

Foi definida a seguinte progressão:
origem — separação — transporte — depósito.

Da geografia derivou a geologia – do êxodo a erosão. Por associação simbólica, a pedra é a origem, ponto de partida. Apresentada na abertura do livro, a pedra localiza a narrativa. A apropriação da linguagem cartográfica torna a ficção verosímil, transporta-a para o registo de documentário.

Neste sentido, as imagens do livro desenrolam-se narrativamente até ao momento em que extravasam os limites da página e as questões atreladas à do êxodo (como dispersão, distribuição, congestionamento) passam a ser tratadas à escala do papel. É neste contexto que surge a representação do pixel, também uma derivação do tema da erosão. E, entretanto dá-se uma mudança de cor – o vermelho do pixel vira código cromático da pedra que é o ponto de chegada da rota deste êxodo; ponto de chegada esse, paradoxalmente, muito semelhante ao ponto de partida, apontando assim para uma noção de êxodo cíclico ou para a denúncia de uma mudança pouco significativa.

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